quinta-feira, 19 de agosto de 2010

THE DOORS - um grupo sem vacilos...

Olá amigos,
Mesmo que o assunto já não seja novidade no mundo pop e quase tudo já tenha sido falado, recomendo a leitura de The Doors por The Doors, de Ben Fong-Torres, pela Agir Editora. O livro, contado pelos próprios musicos do grupo, mostra um Jim Morrison extremamente complexo, instável, rebelde, bem humorado e chato em muitas vezes, além de permitir uma boa reflexão da sua dependência quimica (da qual em 1970 ainda não existiam os estudos e recursos de cura que temos hoje e sendo corretamente tratado como uma doença) que o astro americano sofria e seu exuberante carisma como cantor, compositor e band leader. Um talento e tanto, sem dúvida nenhuma, que o tempo vem se encarregando de mostrar ao mundo.
e também não podemos de lembrar a qualidade instrumental de Robbie Krieger, Ray Manzareck e John Densmore, que produziam um som para lá de interessante e que pode ser traduzido como o estilo "the Doors" de fazer música.
Para conferir isto, não precisa muito. Basta ouvir a obra do grupo e perceber que não existem vacilos ou pontos fracos. Do primeiro, The Doors de 1967, para mim o melhor disco do grupo, ao derradeiro, para mim o segundo melhor, o blueseiro L.A Woman, de 1971, tudo é positivo na obra do grupo californiano.
Confesso que não curtia muito o disco The Soft Parade, de 1969, achava-o pomposo demais por conta dos metais e até refiz meu conceito sobre o disco. Trata-se de algo belissimo e de extremo gosto...
e quanto a Strange Days, Morrison Hotel e Waiting for the Sun são simplesmente maravilhosos..Basta ouvi-los com atenção e ver quanta coisa boa temos neles. Uma pena que muitas das faixas desses albuns não eram revisitadas nos shows do grupo.
Apesar de o livro ser meio "chapa branca" vale muito a pena pelos comentários dos próprios caras e uma boa reflexão sobre este grupo que envelhece como um vinho do porto ...
Leia o livro, ouça os discos, The Doors é coisa para vida toda ! Ah, esqueça o filme do pífio Oliver Stone. Sensacionalismo barato para um grande poeta do rock e que apesar das loucuras deixou ao mundo, em apenas 27 anos de vida, numa série de álbuns de uma qualidade musical inestimável...
Para os "rebeldes coloridos" do século 21, experimentem entender a vida louca de Jim Morrison, e todas as suas renúncias .. Isto sim foi loucura, rebeldia, indignação, poesia, música, enfim, arte ...levadas ao limite..
Bem vindo, de novo, as portas da percepção !

Um comentário:

O símbolo disse...

Primeiramente, o “parabéns” vem pelo espaço bem feito e muito bem direcionado ao que interessa de verdade. O mundo da música tem dessas de fazer uma pessoa algo que ela não tende a ser, ou seja, fiel.
Eu, que já havia ficado impressionado pelo material, fiquei mais interessado ainda pela maneira que as suas críticas e sugestões foram urdidas, com conhecimento de causa, um ouvido muito sensível e muito bem empregado.
O senhor tem um acervo e tanto, dá pra perceber!
Ótima a postagem sobre o Wander Wildner, pouca gente conhece essa “beleza rara”, foi onde eu comecei a me interessar pelo blog.
Quanto ao The Doors, dispensa comentários. O Strange Days é o que eu mais escuto, assenti na cabeça a introdução de Unhappy Girl, no órgão, de um modo que sempre fico cantarolando, absorto. Só musicão!